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Samantha Em Chamas

Fogos e desafogos de uma viajante arco-íris que arde pelo mundo.

Despedi-me do trabalho para ir viajar

É verdade. Mas se esperam uma história cheia de utopias, certezas e planos, então podem largar essas expectativas. Tudo o que vos tenho para contar são vontades e necessidades de me fazer à estrada e de cuidar de mim pelo caminho. Como? Ainda estou a tentar entender mas, em termos práticos, a viagem começa assim:

 

Após ter regressado a Portugal depois de um ano a viver em Espanha, tive que encontrar um trabalho. Ninguém me sustenta e eu na altura estava a dormir no chão de uma sala. Não era lá muito confortável, não pelo chão mas por esta falta de lar que sempre senti ao longo da minha vida, mais acentuada pela intensa experiência profissional e pessoal que vivi em Espanha. Lá encontrei um trabalho em Lisboa, para onde me mudei e onde fiquei os últimos dois anos a trabalhar. A viver? Nem por isso. O sistema laboral em Portugal é quase desumano e aliado ao facto de a nível pessoal e inter-relacional eu nunca ter tido grandes ferramentas sociais, tudo era trabalho-quarto minúsculo-trabalho. Mas das depressões e traços de autismo falaremos noutra altura. O importante é que depois de ter passado os últimos anos num tormento mental e físico (porque se refletiu na saúde e na aparência de forma extrema), em Maio deste ano decidi despedir-me. E foi isso que fiz.

 

Fiquei a trabalhar até ao meio de Outubro para ganhar um avanço monetário, usando os dias de férias que tinha no resto do mês. Em Agosto comprei um bilhete de ida para a Irlanda, portanto a viagem para fora do inferno que era a minha cabeça estava em marcha. Não sabia quanto tempo lá iria ficar mas sabia que iria para Galway. E comecei a ficar mais tranquila, com um propósito, e a fazer outras alterações na minha vida que me permitiram recuperar a minha saúde física e mental. Não foi fácil, vários passos atrás, e é um processo contínuo e do qual estou orgulhosa porque já não me sinto cheia de coisas negativas. Tenho algumas incertezas mas não me sufocam como as certezas demoníacas que quase me destruíram. 

 

Na Irlanda acabei por ficar um pouco mais de uma semana. Ontem vim para o Porto e uns dias depois vou para a Noruega. Desde pequena que, mais do que querer, sinto que nasci para viajar sem parar de malas às costas, à boleia e a escrever memórias como o Kerouac (que eu não sabia quem era na altura mas que tem sido um companheiro constante na luta contra todos os demónios fronteiriços). As pesquisas estão a caminho, os planos ainda não. Apenas as vontades. Até lá vou passar uns dias noutros lados. Percebi que as viagens que ando a fazer não são apenas geográficas. Ando a reaprender a viajar, quer em termos práticos como saber onde é que vou ficar de forma barata, quer em termos emocionais e mentais como saber ficar na vida de quem me tem valor. Até lá vou ao volante deste transporte em chamas neste mundo virtual de palavras, partilhando convosco as viagens passadas, as viagens atuais e as viagens que estão por vir. Podem fazer as malas e colocar os cintos, temos que abalar antes que a portagem se torne cara. 

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