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Samantha Em Chamas

Fogos e desafogos de uma viajante arco-íris que arde pelo mundo.

Apontamentos datados

  • Faz hoje cinco meses que comecei a ter consultas de psicoterapia; 
  • Dia 17 vou iniciar uma formação de vigilante;
  • Dia 18 faz um mês que me mudei para Almada;
  • Dia 30 faço 27 anos;

 

A vontade de me debruçar em muitas palavras sobre cada um destes assunto é equivalente à preguiça de as escrever, infelizmente. Fica para depois.

 

Está um dia bom. Os ares do Outono finalmente mostram-se e trazem uma sensação de casa e consequente aconchego consigo. A roupa, quase seca ontem à noite, está toda encharcada esta manhã e eu não me importo. Vou beber chá, ouvir AC/DC ao vivo no spotify (aka o concerto "Live at River Plate"), ler capítulos do livro "A Mulher Silenciosa" e ver o último filme que me falta de Star Trek (a equipa original, ou seja "Star Trek VI: The Undiscovered Country"). Talvez escrever uns postais, quem sabe. Responder a alguns e-mails e comentários em atraso. Pôr tudo em ordem.

 

Apontamento extra:

  • Em data ou datas ainda por definir mas que se mostram possíveis perantes os progressos dos últimos cinco meses, vou encontrar algum constante gosto na e pela vida. Hei-de lá chegar. 

Follow Friday | Ó da guarda, peixe frito!

Uma vez fui mordida por um peixe. Estou a falar a sério. Mergulhei no rio sado e saí de lá encharcada, porque me atirei com roupa toda e de forma irresponsável à beira-rio, e com uma ferida no dedo mindinho do pé. Não acreditam? É assim: a água não foi, recuso-me a acreditar que foi por causa da pedra à beira-rio porque isso não tem nada de espectacular para contar uma história, e prefiro pensar que foi um carapau enquanto dou graças por não ter sido uma piranha. 

 

Perante todo este trauma animal aquático seria provável nunca mais querer ver um peixe à frente, certo?

Errado. Por isso é que ando quase todos os dias enfiada no aquário (salvo seja) da Peixe Frito, a peixa mais frita da cabeça de todo este cardume virtual, para me rir. Realmente os peixes não são todos iguais (#notallfish). O outro tentou arrancar-me o pé e só me magoou, esta solta as gargalhadas todas que há em mim com a sua maneira peculiar de narrar o seu dia-a-dia aquático (ou oleado? Uma vez que é frita...) e só me levanta as dores da alma.

 

Ó da guarda, peixe frito! 

 

O melhor stand-up aquarium de todo o sempre. Ponham óleo nos risos e afoguem-se em diversão!

O Inktober das outras pessoas

Tenho vários talentos mas nenhum deles é, infelizmente, desenhar. Só sei desenhar uma vaca e ainda assim nunca se parece com uma vaca. Felizmente o meu deleite é proporcionalmente inverso à minha falta de talento, pelo que aqui deixo alguns desenhos feitos por outras pessoas que vi pelo instagram e que adorei:

 

"ALIEN"Club Clitoris

aliendia5clubeclitoris.png

 

FLOWING | Luca Addams Art

lucaaddamsflowing.png

 

 Muslona, Muslona...Marina Garcia

muslonamuslona.png

 

Inktober é um desafio de desenho que se realiza todos os anos no mês de Outubro desde 2009. O objectivo não é competir com outras pessoas nesta arte, é simplesmente desafiar a criatividade de cada pessoa e, consequentemente, desenvolver as suas habilidades no que toca ao desenho e pintura através de desenhos diários normalmente (mas não obrigatoriamente) relacionados com um tema ou palavra diferente em cada dia. 

A cantina do engate

No outro dia falava com uma amiga sobre opções gratuitas para pessoas com algum tipo de carência alimentar. Ela há uns tempos tinha recomendado uma cantina social numa freguesia aqui de Almada e, na sequência de lhe ter questionado algumas informações extras nesse dia, aproveitei e perguntei também, na brincadeira mas na realidade de um tom carente (maldita Vénus....), se ela não conhecia uma cantina assim onde o prato principal fossem mulheres. Com um emoji a rir, convém destacar isto nestes textos contemporâneos, e com um chapadão mental "Epá, Samantha, ganha juízo, respeita a senhoras...".

 

Ela respondeu-me que conhecia uma cantina incrível de mulheres: o tinder. Disse-me, supostamente chocada, que a fome de uma pessoa era saciada, fosse o pedido algo requintado ou algo mais banal, e que se tinha apercebido disso através de umas amigas que por lá andavam porque uma "só queria sexo" (óptimo, sem máscaras) e outra "só queria conversar" (hmmm, não). Ri-me, e ainda lhe disse que estava chocada por ela estar chocada, porque essa cantina a mim não me choca - só me irrita. E expliquei:

 

Não tenho paciência para merdas e jogos sociais. 

Nesta analogia alimentar, acho muito bem que as pessoas queiram só hambúrgueres. A sério. Que se queiram lambuzar com um hambúrguer mesmo bom, com molhos e tudo, espectacular. Também tenho as minhas necessidades e às vezes - muitas vezes - também me apetece o mesmo. Mas eu quando vou ao McDonald's e quero um hambúrguer, não ando a engonhar e a dar conversa à pessoa que me está a atender e muito menos dou a entender que vou comer uma McSalada: peço logo o hambúrguer, seja ele qual for. É que andar às voltas, dar a entender que quero uma salada, não avisar que quero uma salada e, pior ainda, dizer mesmo que quero uma salada quando já sei que não quero (não falo aqui de mudar de ideias), vai resultar num gasto de tempo e recursos do outro lado do balcão e de um prejuízo para quem me fez a salada. Epá. Isso é irresponsável... e é isso que sinto relativamente ao tinder e a todas as situações sociais desse tipo dentro ou fora do ecrã, independentemente do género e orientação sexual das pessoas. 

 

Já usei o tinder uma par de vezes. Fiz uma amiga e acho que só porque a "conhecia" de outros lados. Nada mais do que isso. Gostava muito de poder utilizá-lo para aquilo que foi feito em parte - encontrar sexo e companhia - mas infelizmente comigo não dá porque não tenho nem paciência para lidar com pessoas nem paciência para guiões sociais. E por muito que me custe, não consigo achar piada a quase alguém. Bom, é a vida, assunto para outra altura. Só queria dar-vos um contexto de experiência, para evitar julgamentos de que sou pudica. Ah! Antes fosse, seria muito mais fácil, mas com tanto escorpião no meu mapa astral não dava mesmo que quisesse. 

O que quero dizer é:

 

Querer e precisar de sexo é válido e nada do qual se deva sentir vergonha. É que, fora as inseminações artificiais e coisas da ciência contemporânea, ninguém existe por causa das cegonhas, por exemplo. Mas o que é vergonhoso é brincar com o tempo e, provavelmente, emoções de alguém para o conseguir.

Justificar esse jogo social como um jogo de sedução porque assim é mais excitante é errado. Existe uma diferença entre transparência e sedução e uma coisa não invalida a outra: posso muito bem ser clara e dizer "é isto que quero" e a partir daí seduzir e brincar e proporcionar um ambiente e uma dinâmica mais íntima. Mas dizer que "só quero conversar", quando não é isso que quero e claramente quero algo mais, é irresponsável. E hipócrita, até. E começo a ficar muito cansada da irresponsabilidade emocional e social que é socialmente imposta como algo válido só porque, meu zeus, "gostar e precisar de sexo é um pecado"!

 

Epá, não é. Vamos lá ter mais cabecinha e usar menos o coração das pessoas só para podermos usar mais o nosso corpo. 

(E cá entre nós, a possibilidade de uma moça me dizer "é isto que quero contigo" sem merdas, opá, justifica logo o nome deste blog. Madre mia!)