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Samantha Em Chamas

Fogos e desafogos de uma lésbica passada dos cornos e meio anti-social

Um dia de cada vez

Rapei o cabelo. Todo. À máquina zero. Fechei-me na casa de banho a ouvir L7 e desfiz-me de tudo o que decorava a cabeça. Vá, quase tudo. Ficaram as sobrancelhas grossas, as borbulhas intrometidas, as olheiras escuras e os quilos a mais que me enchem as bochechas. Pareço doente e, como seria de esperar, já me perguntaram se estou doente. E estou - mas não é um cancro que me aflige: é a minha saúde mental deteriorada. 

 

Rapei o cabelo há três dias e os três dias anteriores tinham sido um inferno. Rapei porque estava farta de mim e era a única parte do corpo que podia remover. Rapei-o porque o que eu queria era cortar todas as nuvens negras na minha cabeça mas não conseguia chegar a elas. Então rapei o cabelo, à máquina zero, e fiquei na cama coberta de nuvens e tempestades. 

 

Entretanto já consegui sair da cama. Ainda me custa olhar ao espelho por vezes, então prefiro olhar para o ecrã e ver episódios de "One Day At a Time" na Netflix, uma comédia que realmente me faz dar gargalhadas e que, ao mesmo tempo, trata e desconstrói assuntos sérios e importantes. E o episódio que acabei há pouco foi sobre depressão (e a importância de cuidar da saúde mental no geral). E lembrei-me que não faz mal ter recaídas nem rapar o cabelo porque ele cresce e eu também (mais alto do que as nuvens negras). Um dia de cada vez. 

Saiu-lhes a sorte grande

Eu disse-lhe que tinham uma sorte tremenda em estarem juntas e em poderem contar uma com a outra.

Disse-lhe que se mereciam mas que tinham uma sorte tremenda em se terem reencontrado após 7 anos afastadas por alguma razão da vida.
O Amor da vida nem sempre fica e, quando vai, nem sempre volta. 
 
"Saiu-me a sorte grande", cantava ela. Sorri. Sei que sim, há coisas que não precisam de ser ditas porque se sentem fora dos limites do mundo de duas pessoas.
Nunca a vi assim nem mesmo quando ela amava outra pessoa. Nunca a senti assim. 
 
São o Amor das suas vidas. Existe. Não há nada que valha um segundo sem ela, não se percam por mais sete anos.

Os pássaros de Gjøvik

Os únicos sinais de vida eram os triângulos negros lá em cima. Saíam das árvores e voavam em grupo mas a sós com as suas asas. Eu não voava. O meu coração nem sequer batia então como é que poderia sequer voar? Gjøvik parecia um cenário de um filme distópico onde o vazio se sente a cada frame frio da cor da solidão: nem é azul nem branco nem cinzento, são todas essas cores num tom triste onde só se inala o vácuo irrespirável. 

Mas os pássaros de Gjøvik lá existiam e continuavam a voar. Iam em círculos e em bando como uma banda de hits ridículos que compõe a banda sonora de um pós-apocalipse. Um eclipse de vida: eram os pássaros de Gjøvik.

 

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(Foto tirada por mim na minha passagem por Gjøvik, Noruega, em Dezembro de 2017)

 

O Farol das Orcas | VAMos!

E na primeira viagem através do Projecto VAMos!, vamos até à Patagónia argentina nadar com orcas pelo mar do autismo. 

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"O Farol das Orcas" (idioma original: El Faro de Las Orcas) é um filme hispano-argentino de 2016 que nos conta a história real de Roberto "Beto" Bubas, um patrulheiro da natureza argentina apaixonado por orcas, e Agustín (no filme é Tristán), uma criança autista que encontra nas orcas o barco para navegar no oceano das emoções. 

 

A viagem começa com uma mãe a atravessar o atlântico de Espanha à Argentina com o seu filho autista para o ajudar a encontrar-se com as suas emoções, após a aparente e diária apatia da criança ter sido interrompida por um momento de reacção quando um documentário sobre as orcas passa na televisão. É então na Patagónia que conhecem Beto, com quem Tristán, a par com as orcas, irá criar um forte laço que o lançará pela primeira vez no mundo.

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Para além da fotografia maravilhosa que nos convida visualmente a visitar esta parte do globo, o filme tem um enredo que nos faz querer visitar o lugar mais remoto do nosso eu: aquele lugar mais puro ligado ao mundo natural, o lugar por debaixo das camadas de pressa e superficialidade do quotidiano e onde somos nós antes de sermos o que somos por influência do que nos rodeia.

Afinal qual é a nossa essência? 

 

 

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Localização: Argentina

Idioma: Espanhol

Género: Drama

Ano: 2016

Duração: 1h50

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(Esta sugestão faz parte da rubrica Volta ao Mundo em Cinema, inserida no Projecto VAMos!)

Volta(s) Ao Mundo a partir de Onde? Do Sofá!

De volta da Noruega (e da Suécia, logo contarei como lá fui parar!) e de um Dezembro complicado, decidi finalmente dar a volta ao mundo. Não a volta ao mundo em geografia, infelizmente, mas uma volta ao mundo mais acessível neste momento (mas igualmente divertida e interessante!).

A partir de hoje irei iniciar uma série de rubricas para vos falar de filmes, séries e músicas de várias partes do mundo. Os meus dias são recheados de diversos idiomas através destes meios de entretenimento, então que tal partilhar essas viagens por aqui também? 

VAMos (Volta Ao Mundo a partir de Onde? Do Sofá!)?

 

Volta ao Mundo em Cinema

Volta ao Mundo em Música

Volta ao Mundo em Televisão

 

(post e links em constante actualização)

 

Boas viagens cinematográficas, musicais e televisivas! 

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