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Samantha Em Chamas

Fogos e desafogos de uma viajante arco-íris que arde pelo mundo.

A diferença entre ele e eu é que eu ainda sigo com vida

Eram 8h e pouco da manhã e eu tinha acabado de chegar ao trabalho. Os buenos dias não saíram quando me chamaram ao escritório. "O Valentín morreu", disseram-me. "Atirou-se para a frente de um comboio".

Eu na altura vivia em Toro, uma vila pequenina em Espanha. Tão pequena que, na brincadeira, costumo dizer que ali só vivia eu e as pessoas que trabalhavam ou que eram pacientes da associação onde eu trabalhava. Tão pequena que, de facto, o comboio nunca parava ali. Mas lá passava e, na noite anterior, o Valentín meteu-se na linha.

Os detalhes ficam guardados no tempo. Quem era, como era, se era. Guardo-o na memória rodeado de flores nas manhãs de jardinagem.

A minha colega perguntou-me se eu estava bem dada a suposta tranquilidade com que recebi a notícia. A vida continua. A verdade é que não assimilei logo. Nessa tarde na oficina de cerâmicas, quando quase toda a gente já tinha ido embora e eu e a Marisol pintávamos ao som daqueles rocks melancólicos dos anos 90, desabei. E ela também. E em silêncio nos afundámos em lágrimas tentando sobreviver às nossas próprias nuvens negras.

Sei que as intenções são boas quando o dizem mas a solução não está em tentar ser mais optimista.
A depressão é fodida, não um traço de personalidade pessimista.

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