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Samantha Em Chamas

Fogos e desafogos regados a cerveja e coração

Caminhadas longas e prósperas (um passeio na Irlanda)

Fora a Espanha de mi corazón, quem me conhece sabe que (quando estou ligeiramente menos pobre) ando sempre metida na Irlanda: com a alma desde que me conheço e anualmente, de forma presencial, desde 2015. E este ano não foi excepção - só que em vez de fazer o hat trick de aniversário na Irlanda em Outubro, meti-me lá na pior altura do ano para mim: o verão. E resultou, embora tivessem sido dias difíceis. 

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(De maratonas de Star Trek a Irish Trek: Hike Long and Prosper, e prosperei. 🖖)

 

O plano habitual de viajar de mala às costas a trocar comida e estadia por algum trabalho em quintas, associações, casas de família e por aí fora, foi completamente espancado por um timing horrível entre (a falta de) respostas e pelas nuvens negras na minha cabeça que este ano estão mais intensas que nunca. Está a ser um ano muito difícil, mas perante essa tempestade e falta de abrigo mentais, durante uns dias consegui descansar um pouco a cabeça no meio de um paraíso: O Parque Nacional das Montanhas Wicklow, mais concretamente no vale dos dois lagos (Glendalough). 

Depois de uma crise de pânico/desespero/tristeza/solidão/a cabeça a mil quando estava ainda em Dublin, decidi que quaisquer trocos que eu tivesse comigo seriam gastos para descansar. E assim reservei um quarto no hostel das montanhas.

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 No dia seguinte, meti-me num autocarro que apanhei perto do St. Stephen's Green e lá fui a ver se me conseguia salvar de alguma falta de sentido na vida. Sentei-me ao lado de uma moça fofa que ia a ler um livro e logo aí senti um click de esperança: afinal ainda conseguia sentir interesse por coisas e pessoas no mundo. Ela viria a ficar no mesmo sítio que eu pela mesma quantidade de dias. Nunca nos falámos, fora uns acenos de reconhecimento, mas no meio de jovens que iam e vinham sempre em duplas ou grupos a socializar, ela era a única que, tal como eu, viajava sozinha, fazia tudo sozinha e estava sempre agarrada aos livros. Adorável. Ainda pensei que fôssemos dar uma de "P.S, I love you" (que foi filmado neste lugar, btw!) e ser namoradas/esposas no futuro, mas não. 

 

E mal cheguei, percebi logo que aquilo era o paraíso da confirmação para alguém que anda há anos a levar com "mas ele não faz mal" cada vez que me afasto de um cão (meus ricos gatos)! Há um sítio na terra,  e esse sítio é na Irlanda, que confirma a minha teoria de que os cães são o demónio disfarçado de fofura e lealdade (batam-me mas está aqui a prova de que é verdade)!

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(olhem o sofrimento destas criaturas... pobre cabrinha, especialmente.

Leave cabrinhas alone)

 

E, esperta como sou, eu que ando sempre de botas em qualquer altura do ano e em qualquer lugar, decidi que ia o mais leve possível para a viagem. Levei as minhas pseudo-all-star super baratas. E fiz tantas, tantas trilhas com elas que os meus pés ficaram mais esburacados que os pés de todos os peregrinos de Fátima juntos. Mas já me dizia o lugar à sua maneira, patrocinado por uma mensagem nas traseiras de uns sapatos de 5 euros: olha para trás para aprenderes mas segue em frente que vale a pena. E é verdade.

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(curiosidade: ando sempre com meias diferentes em cada pé. Como cantam os Calle 13: Si quieres cambio verdadero, pues... camina distinto )

 

Estive lá cerca de três dias. Ou quatro. Ou cinco? A memória por vezes trai-me. Apanhei sol e apanhei chuva. E não é suposto isto ser um guia de viagem. Tem um hostel e tem um hotel (cujo restaurante, à noite, é a única instalação aberta onde há comida e onde eu ia comer uma sopinha do menu das crianças porque era o mais barato que eu conseguia pagar) mas, mais importante, tem tesouros escondidos. Há várias trilhas mas há uma especial que leva ao vale, um vale que nos transporta para um ambiente de outro mundo (a sério, parecia mesmo que estava num daqueles planetas recônditos cheios de pedras que se vê no entretenimento sci-fi). Há veados à solta. Há topos para alcançar. E ambos os lagos são de uma beleza incrível. Tipo Suíça versão mais barata! E procurei por cabrinhas porque eu adoro cabrinhas mas só encontrei ovelhas. Entre outras coisas. Talvez algum dia as partilhe.

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(chegada ao primeiro lago)

 

O mais interessante é que, sendo um local monástico, tem um cemitério que podemos visitar com as suas cruzes e inscrições celtas. O que me fez reflectir que, tal como eu, há séculos que as pessoas vêm aqui para descansar. (esta é daquelas para clicar na seta ao lado)

 

E pensei: realmente é um bom sítio para descansar. 

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(euzinha a tirar fotos a mim mesma como se alguém me estivesse a tirar fotos de mim a olhar para o horizonte - uma pessoa passa a vida a viajar sozinha então aprende a desenrascar-se)

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