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Samantha Em Chamas

Fogos e desafogos regados a cerveja e coração

Carta a uma (quase) amiga

Lembro-me de te ter falado uma vez sobre a importância de dizer as coisas às pessoas sem esperar por ocasiões especiais. Dizê-las, especialmente as boas, sem merdas. 


Durante este tempo andei a vaguear entre a raiva de querer falar-te da mágoa e dos cacos que me deixaste a apanhar e entre o receio forçado a certeza de que já não tínhamos mais nada para dizer uma à outra. Mas eu tenho. E o que tenho a dizer é bom - ainda que seja triste e me despedace um pouco mais o coração.

 

A transparência é uma coisa bonita - mas é fodida. E talvez seja por isso que tenhas tanta dificuldade em enfrentá-la e, sobretudo, enfrentar o que se passa no teu coração. E só quero dizer-te que compreendo, sem julgamentos. Não é fácil nem inconsequente. Durante tanto tempo fiquei magoada por não seres transparente comigo que falhei em ver o quão difícil deve ser para ti. E de repente todas as coisas más se desfizeram porque todo o carinho que tenho por ti expressou-se numa necessidade de te querer ver ou saber bem - ainda que talvez não nos voltemos a ver ou a saber uma da outra. 

 

Vou sentir falta desta cidade. E vou sentir a tua falta. E acima de tudo vou sentir falta de uma amizade que podia ter sido mas que, por vários motivos, não o foi. Mas não tem de ser mau: é com este "podia ter sido", misturado com as partes boas do que foi, que te vou lembrar com todo o carinho que há em mim.

 

É que mesmo que já não tenhas mais nada para me dizer, tudo o que eu tenho para te dizer é e será sempre bom. E só espero que um dia tenhas a capacidade de dizer, a ti e às pessoas que passam na tua vida, as verdades mais transparentes ainda que sejam difíceis de pronunciar. E espero que nesse dia as dores que te afligem a alma e o coração se acalmem e possas descansar um pouco a cabeça.

 

Perdoa-me ter esperado por uma ocasião especial para te escrever estas palavras. Estava a processar. E esta ocasião especialmente horrível na minha vida obrigou-me a processar tudo de forma mais eficaz, relativizando a importância das coisas. E as coisas boas ganharam sobre as menos boas. E a importância que tu tiveste ganhou sobre a falta de minha importância no teu caminho. Porque o importante é que tu o faças da forma que for melhor, mais saudável e verdadeira para ti e não que eu esteja lá para te acompanhar.

 

Com todo o carinho que me é possível, triste pelo que não é mas grata pelo que foi, despeço-me com o melhor abraço que me é possível dar-te. Espero que futuramente te consigas abraçar totalmente na tua essência e viver a tua verdade sem merdas. Eu vou viver a minha. E se um dia as nossas verdades se voltarem a cruzar, serás bem-vinda. 

 

Samantha

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