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Samantha Em Chamas

Fogos e desafogos regados a cerveja e coração

É uma questão de hábito

Há uns anos decidi que a partir daquele momento (a minha segunda tatuagem) só faria tatuagens com pessoas que fossem mulheres e/ou que se identificassem como parte da comunidade LGBTQI+.

 

Cada vez que falo nisto as pessoas sentem-se pessoalmente ofendidas, embora nada tenha a ver directamente com elas, mas que horror, como é que eu me atrevo a atribuir género e sexualidade à arte? É que se pensarmos bem, nem sou eu que faço isso: é um processo social que só atribui valor e reconhecimento a arte (entre outras coisas) a homens. Normalmente brancos e heteros. Eu só tento equilibrar a balança a favor de quem à partida, por mais talento que tenha, precisa de se esforçar o dobro para poder ter reconhecimento e/ou lucro com a sua arte e o seu trabalho. Se numa data de coisas eu não consigo controlar quem tem benefícios, neste tipo de coisas posso e decidi fazê-lo. 

 

Na música, especialmente no que toca à rockalhada que tanto gosto de ouvir, isso também acontece. Aí o processo foi mais natural embora também tivesse tido o seu momento de decisão. E hoje em dia tenho muito mais artistas mulheres e/ou queer nas minhas listas de reprodução. Nem é um esforço e faz sentido. No meu spotify é todos os dias o especial mulheres do rock (por exemplo) que de vez em quando acontece no bares como se estivessem a fazer uma grande sacríficio tocarem boa música. Adelante.

IMG_2108.png

Mas na literatura isto não era bem assim. Digo era porque espero que os novos hábitos de leitura que estou a adaptar se mantenham e que os velhos fiquem lá atrás. Sempre gostei muito de séries de televisão e via muitas séries em simultâneo mas há um par de anos que ando a fazer o desmame deixando terminar as que já acompanho e (quase) não adicionando mais nenhuma à lista. Não quero passar o tempo agarrada ao ecrã e prefiro passá-lo entre páginas de livros. Então aliado a este desmame e incentivada pela Sara e o seu blog, tomei a decisão de começar a ler mais autoras. Inicialmente até parecia difícil: olhava para todos os lados e só via homens. Salvo seja. Nas livrarias ou nas bibliotecas. Mas com calma, lá comecei a prestar atenção. E lá estavam elas.

 

Se o livro "Enterrem-me de pé!" de Isabel Fonseca (sobre a histórias e as estórias do povo cigano, estou a adorar) pode ter sido um bom acaso, uma vez que já o tinha cá para casa há uns bons anos, os outros dois da imagem foram consequências dessa escolha de ler mais autoras. No outro dia quiseram oferecer-me um livro por causa de um favor que eu tinha feito e acabei por trazer o "Estamos Todos Completamente Fora de Nós" de Karen Joy Fowler. Na sexta-feira regressei pela primeira vez à biblioteca desde que regressei a esta cidade e acabei por trazer o "A Vegetariana" de Han Kang. Vou começá-los em breve. 

 

Ainda quero focar-me nas minhas preferências específicas de ler realidades, assim como as prefiro no cinema, que não sejam tão ocidentalizadas. Pouco a pouco. Sei também que há coisas que têm de ser limadas. Para já estou satisfeita por ter estas três autoras comigo. E espero ter muitas mais a partir de agora.

Afinal, foi uma escolha mas é tudo uma questão de hábito. 

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