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Samantha Em Chamas

Fogos e desafogos de uma viajante arco-íris que arde pelo mundo.

Pontes

Hoje sonhei que me tinham roubado a bicicleta na Ponte 25 de Abril e que a Ponte 25 de Abril tinha o comprimento da Ponte Vasco da Gama. E desde que acordei que me tenho questionado sobre o tamanho das pontes na minha vida e em como as viagens entre elas são sempre cheias de contratempos. Então uma distância curta de repente se torna longa e, por vezes, impossível de alcançar, e eu nunca mais lá chego ou regresso às pessoas a quem determinada ponte pertence.  E por vezes pontes que se encontravam fechadas de repente voltam a abrir-se mas quando isso acontece já não tenho a certeza que a minha jornada passa por lá. E questiono-me então por que raios abrem se não é para passar por lá para então chegar à conclusão que os novos caminhos a serem descobertos só são novos se existirem os velhos porque, enfim, se não existissem os velhos caminhos estes novos caminhos seriam apenas os primeiros caminhos. E nos primeiros caminhos cometem-se infracções que, com experiência, se poderiam evitar, e então temos que pagar o preço das multas ou da vida. Mas como são novos, não os velhos nem os primeiros, a sensação de que há novas pontes a serem atravessadas é o que me faz andar para a frente, mesmo que pelo meio do caminho volte a ficar sem transporte outra vez. Mas, honestamente, gostaria de poder concluir a travessia alguma vez.