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Samantha Em Chamas

Fogos e desafogos de uma viajante arco-íris que arde pelo mundo.

As cores expostas das conexões

Perguntou-me se era dupla exposição ou um jogo de cores. "A fotografia está excelente", disse-me. Não lhe soube responder. Não sei o nome das coisas porque nunca pude tirar nenhum curso de fotografia. Nunca pude tirar um curso de nada que me interessasse porque a parte técnica do que me move a alma tem um preço e eu nunca pude pagar esse preço. Portanto não sei se é dupla exposição ou jogo de cores, apenas brinquei com a máquina com o mínimo que sei para as fotografias não me saírem totalmente a preto (ou a branco). E talvez ela não esteja excelente como o elogio sugeriu mas, depois de me ter desfeito de todo o cabelo, é a única fotografia minha à qual me consigo conectar. Um auto-retrato onde me desfaço, desfeita me evaporo colorida em cada poro.

Não sei se é dupla exposição ou jogo de cores, só sei que são mamilos estranhos não conectados.

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("UNCONNECTED QUEER NIPPLES"SETEMBRO DE 2017)

Um pôr-do-sol arco-íris em Dublin

Na minha segunda vez em Dublin, em Outubro de 2017, e já conhecendo de cor quase todas as ruas e pontes da cidade, voltei ao hostel para descansar um pouco antes de me ir embora. Ao voltar pela ponte O'Connell, uma das tantas e a talvez a mais larga que atravessa o rio Liffey, entre carros e pessoas lá estava uma bandeira arco-íris. Obviamente que tive que me aproximar. De tanto quererem que tenha vergonha de mim, o meu orgulho em ser quem sou só cresce.

Mas, enfim, lá me aproximei e vi que era uma mesinha de venda. Tinha bonés e meias e música e isqueiros e pilhas e copos e coisas aleatórias em monte, sabe-se lá o que é que uma pessoa precisa quando atravessa a ponte. Eu cá só precisava de uma bandeira arco-íris. Há anos que queria comprar mas mesmo na internet eram caras e o mais perto que cheguei disso foi um conjunto de diversos pins arco-íris e feministas que eu mesma fiz quando vivi em Espanha (privilégios de ter uma máquina dessas no trabalho!).

 

 

Então perguntei à senhora e ao senhor que lá estavam, duas pessoas velhotas adoráveis, quanto era a bandeira. Entre os 10 euros que custava e os 2 e pouco que eu tinha comigo na altura, tive que ir levantar dinheiro mas não sem antes fazer com que a senhora e o senhor prestassem um juramento de como aquela bandeira, a única que tinham, iria esperar por mim apenas. Foi tudo muito engraçado, ele ria-se e ela olhava para mim como uma mãe que vê a filha super contente com algo. E é normal porque eu estava realmente ao pulinhos. Então desatei a correr para o multibanco mais próximo, a amaldiçoar os sinais vermelhos daquele cruzamento enorme, carros de todos os lados e eu só queria ir numa direcção. Quando voltei com o dinheiro e já tinha a bandeira na minha posse, os meus olhos brilhavam. E devem ter reparado, porque ficámos a falar de como a bandeira era bonita e de outras coisas que surgiram daí. 

 

Depois dessa conversa, fui dar mais uma volta pela cidade. Dublin é especialmente bonita ao pôr-do-sol e o pôr-do-sol também é especialmente bonito em Dublin. E toda essa caminhada foi feita de bandeira na mão, uma bandeira do meu tamanho, eu era um arco-íris ambulante nas margens do rio Liffey. Há poucas coisas mais especiais do que sermos nós próprias nas ruas que adoramos, especialmente ao pôr-do-sol.

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Viagens arco-íris e unicórnios viajantes

Costumo acompanhar blogs ou contas de instagram de pessoas que viajam com frequência. E, sendo parte da comunidade LGBTQI+, é mais do que natural que acompanhe algumas pessoas também elas LGBTQI+ que costumam viajar. E tem sido muito interessante ver o mundo dessa perspectiva, que não é totalmente diferente mas que tem as suas especificidades e que me tocam muito perto do coração.

 

Um dos pontos de encontro virtual é a página de instagram The Travel Unicorn. Tem também um site com o mesmo nome com alguns testemunhos e diários de viagem de pessoas LGBTQI+. É um projecto que foi fundado em Novembro de 2016 por Carly que, após mais uma das suas viagens, começou a sentir a falta de uma plataforma que unisse viajantes arco-íris e que permitisse a partilha de histórias, recomendações e apoio entre si. Hoje em dia é um dos pontos centrais na comunidade de viajantes LGBTQI+. 

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Conheci este projecto através da Steph e da Tay, duas namoradas nómadas que fazem uso da página lesbinomadic para partilhar as suas aventuras. E através de The Travel Unicorn conheci a página da Thai e da Sil, que têm estado a viajar desde o início do ano sem parar, já visitaram cerca de 11 países, saíram ontem da Roménia e chegaram hoje a Londres. Entre outras tantas que acompanho e que vou conhecendo, a Vamo? Vamo! Trip da Thai e da Sil tem sido a minha viagem preferida. As fotos são maravilhosas, é certo, mas o mais engraçado, interessante e próximo são as histórias que elas fazem para o instagram, pois fazem de uma maneira tão despretensiosa e real que mais parece que as conhecemos e que são nossas amigas que foram viajar. 

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Outro dos pontos de encontro é a rede social elgeeBE. Não experimentei portanto não sei quais são os prós e os contras. Sigo apenas a respectiva página no instagram, de qualquer das formas deixo-a aqui como sugestão para darem uma olhada. Quem sabe a próxima viagem arco-íris não estará à distância de um clique? Enquanto não posso explorar o mundo por mim, exploro através da perspectiva de quem, como eu, viaja para ser livre.