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Samantha Em Chamas

Fogos e desafogos de uma viajante arco-íris que arde pelo mundo.

I'd rather fight than just fake it (cause I like it rough)

Não é que sejas inesquecível mas como é que se esquece que o meu maior amor foi uma fraude?

(E como é que se perdoa alguém que conseguiu transformar o que de melhor havia em mim em vergonha e náuseas?)

 

Continuo a ser emocionalmente diplomática mas há acordos de paz que só se alcançam através de palavras duras portanto vai-te foder. É frustrante que me tenhas tirado 10 anos da minha vida portanto imagino que seja pior teres de conviver contigo há (quase) 29 anos. E não te desejo mal, não: desejo-te autenticidade porque se não é para seres o que dizes ser ou queres ser, então não vales nada. E a forma como eu amo as pessoas que passaram, passam ou passarão na minha vida vale tudo. Amei-te (mas vai-te foder!). 

Afinal não fui a um bar, fui mesmo a um consultório

No complexo universo das bactérias da alma, regresso com fotos e emoções. Sinto que estou em processo de queijo, deixando as bactérias alimentarem-se de mim num ambiente controlado de forma a adquirir a textura e sabores ideais, únicos e dignos da minha complexidade. É um processo complicado, nem sempre bonito e nem sempre cheira bem, nem sempre é iluminado e nem sempre é saboroso mas, na imprevisibilidade do que sou e posso vir a ser, tenho a certeza de uma coisa: sou um queijo em processo de cura (e, cá entre nós, à espera de ser apreciada e devorada, que queijo é bom e eu também! *pausa para risos, afaguem-me a auto-estima*).

 

Mas também posso ser o musgo que cresce na pedra.... e às vezes nas árvores.

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 (foto tirada em Galway, na Irlanda, em Outubro de 2017)

Ou o barco que me leva para fora daqui, que me dá transporte e ao mesmo tempo abrigo no mar da vida.

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 (Foto tirada na Serra da Arrábida há uns dias)

Posso ser isso tudo. 

Posso ser conversas, conclusões e cervejas.

Afinal ir a um bar ou a um consultório é algo que me sabe bem.

Só queria que servissem queijo em ambos os lugares também...

No quiero escaparates: quiero la vida entera.

Na casualidade da vida nada em mim é por acaso. Mais importante: ninguém comigo o é por acaso. Entre armaduras e recrutamentos, tenho mais dedos numa mão do que pessoas a quem dei permissão para passarem o muro. 

Não é justo que me resuma às circunstâncias para justificar essas entradas. Se circunstancialmente me sinto resumida, sinopse de uma alma, um par de frases sobre o meu coração, então recuso a minha plenitude. Se sou a personificação da demasia, então que o seja - mas eu plena é que não me recuso mais.

Por mais solitário que seja, sei tanto indicar a entrada quanto a saída.

E prefiro ser sozinha do que resumida. 

Ninguém é melhor pessoa por associação

Há uns dias, um bocadinho ferida, eu disse a alguém que "só porque te dás com pessoas de espírito livre e boas pessoas, isso não te torna uma dessas pessoas por associação", mais coisa, menos coisa. É que não importa fazer apenas umas rastas no cabelo e fazer o sinal da paz com a mão ou, no caso de activistas (não me esqueci...), escrever determinados textos, para ser uma melhor versão de nós mesmas. Eu honestamente acho que, no geral, cada qual faz o melhor que pode com as ferramentas que tem, mas existe uma diferença entre querer seguir um caminho diferente e em continuar a causar, de forma consciente, acidentes pelo caminho. E se para mim é fácil respeitar a necessidade de alguém de seguir num carro onde eu não estou, é impossível não buzinar quando esse mesmo carro vem, de novo, de encontro ao meu. 

 

No outro dia alguém disse «Não se trata de persuadir as pessoas de que irás fazer algo grandioso: trata-se de o fazer.» numa das séries que vejo. De certa forma encaixou na situação do parágrafo anterior, embora num sentido diferente, e também no que me disse uma pessoa que conheço quando estivemos a passear e a conversar lá por Coimbra e arredores. Dizia ela que "o que quer que façamos temos que fazer por nós", algo assim do género. E eu concordo. É uma frase que me ficou na cabeça e que vem sempre ao de cima enquanto tento orientar a minha vida ultimamente. E também veio ao de cima quando a situação do primeiro parágrafo ocorreu. É que fazer o melhor que se pode e fazê-lo por nós mesmas não pode ser justificação para comportamentos tóxicos, mais ainda quando esses comportamentos se repetem e repetem durante anos. Os regressos com perdões na boca e rastas sabe-se lá onde perdem a validade se forem apenas descargos de consciência - e eu não sou nenhum autoclismo papal. Quem quiser perdão que procure dentro de si e quem quiser ser a melhor versão de si então que pare de o dizer e que seja (ou tente ser, pelo menos!). É isso que tento fazer também.