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Samantha Em Chamas

Fogos e desafogos de uma lésbica passada dos cornos e meio anti-social

Carta aberta às pessoas que vão ao cinema

Caras abomináveis pessoas,

 

Não vos escrevo na esperança (que é vã) de que, por lerem estas palavras, se aprendam a comportar de forma mais humana; escrevo-vos para que saibam que vos considero uma amostra do que é a humanidade actualmente: e abomino o que vejo.

 

Se a entrada está fechada, não a contornem e não tentem entrar por outros lados. Especialmente se o vosso filme só começa dentro de 42 minutos. Sei lá, só assim por acaso, já pensaram que há um motivo para ela estar fechada? É que também não me parece que seja a primeira vez que vão ao cinema e, como devem saber, alguém (eu) tem de rasgar o bilhete, permitir a entrada e indicar-vos a sala para onde se devem dirigir. É só um conselho. Prometo-vos que estarei à entrada a horas decentes para vos deixar entrar, a sério, sou super apaixonada por cinema e não gosto de perder um segundo (até os créditos!), portanto gosto de proporcionar a mesma experiência a quem lá vai. E é por isso que, se não estiver lá 42 minutos antes do vosso filme começar, devo estar a tratar de outras coisas igualmente importantes para que o possam ver em condições: a limpar a sala, a ver se está tudo a funcionar bem com a tela, com as luzes, com o som, a organizar os intervalos, uma data de coisas. Não nasci com o dom de ser omnipresente, mas prometo-vos que o horário possibilita-me fazer tudo o que deve ser feito... se vocês não andarem por lá a passear e a pedirem a minha atenção e servidão como se o mundo girasse à vossa volta e não existissem outras sessões a passarem antes da vossa.

 

Mas depois não chega, não é? Quando se aproxima a hora de entrada e estou a receber e a rasgar bilhetes, se vos peço para aguardarem lá à frente não é para aguardarem a dois metros de mim, ao lado da fila, no meio do corredor, impedindo a passagem de algumas pessoas, criando uma confusão descomunal de ruído e pessoas aglomeradas. É cansativo. E especialmente se venho lá do fundo e vos peço que aguardem onde estão, epá, não avancem até ao sítio onde estou. Se eu quisesse que viessem ter comigo não vos tinha pedido que aguardassem aí. Sei lá, só por acaso, não pensaram nisso também? E lá tenho eu de vos falar de uma forma mais impaciente, pedindo que dêem volta e que regressem ao ponto de entrada que já lá vou ter convosco, para ter de vos ouvir pessoalmente ofendidas a dizer "que isto não é serviço nenhum". Pois não, miga, porque o serviço de entrada fá-lo-ei com qualidade e simpatia no sítio correcto, não no meio do corredor a 30 metros da entrada com um grupo de 21 pessoas à minha volta, não em fila, como se fossem uns abutres e eu fosse um ser cadavérico. 

 

Mas a verdade é que me questiono para quê toda esta pressa egoísta e mal-educada se, no fundo, vocês não vão ao cinema experienciar um filme. Já nem falo de ficarem até ao final dos créditos (mas olhem, há cenas extras como muitas vezes vos aviso!), deixo isso para gente cinematograficamente apaixonada como eu, mas é que entre chegarem com atraso porque entretanto se lembraram que queriam comprar pipocas (sei lá, não vos ocorreu fazer isso durante aqueles 42 minutos?), saírem a meio do filme para falarem ao telemóvel sobre as compras que têm de fazer e até saírem a meio do filme para irem buscar mais pipocas (se isto não é absurdo, não sei o que é), acharem que os intervalos duram meia-hora como se isto fosse a TVI, fazerem barulho e mexerem nos telemóveis enquanto o filme passa, falarem alto gritarem constantemente na entrada e nos corredores como se estivessem num estádio, não respeitarem as pessoas que lá trabalham e ignorarem constantemente o que vos é pedido, entre outras coisas, gostaria de vos questionar o que vão lá fazer. Vão bater ponto na obrigação de terem alguma actividade de lazer? Vão descarregar a vossa imbecilidade num sítio que devia proporcionar experiências bonitas e reflexivas? Nem vocês sabem por que motivo é que vão, pois não? Parece automático e sempre à pressa. É triste e é frustrante, porque (notícia de última hora!) vocês não são as únicas pessoas no mundo e o vosso comportamento é repetido à exaustão por centenas de outras pessoas. E eu não sou nenhum robot.

 

Às pessoas que não vão nestes termos abomináveis e que não me tiram tanta energia por serem simpáticas/respeitadoras e não serem abutres de paciência:

Obrigada. A sério. Mas se puder pedir-vos alguma coisa só para me facilitar o trabalho e não gastar mais energia do que o necessário para poder aguentar as gentes a quem escrevi nos parágrafos anteriores, gostaria de vos pedir que, quando me derem os bilhetes, não me dêem os bilhetes dobrados e, se possível, também não me dêem a factura (essa é para vocês). E se possível, por favor tirem-nos da mala ou da carteira antes de se dirigirem a mim, porque essa procura por vezes demora, tira tempo e causa algum congestionamento nas entradas. E, por favor, mas por favor mesmo, por muito que sejam simpáticas/os e gostem de conversar comigo sobre referências cinematográficas e por muito que eu esteja disponível para o fazer, NÃO ME CONTEM O QUE ACONTECEU DURANTE O FILME E MUITO MENOS O FINAL. A SÉRIO. Não me abatam um amor que tem sido constantemente espancado pelas outras pessoas. 

 

A todas as pessoas, as imbecis egoístas e as mais humanas, não vos escrevo apenas enquanto funcionária mas sobretudo enquanto alguém que encontra no cinema algo que dá gosto à vida.

Enquanto espectadora, irrita-me profundamente que cheguem com atraso, abram portas, deixem entrar luz e ruído, façam ainda mais barulho enquanto se sentam e enquanto o filme passa, que se metam à minha frente e não me deixem ver as imagens em condições, que façam luz com os telemóveis, enfim, que dêem cabo daquele momento. Enquanto funcionária também me custa deixar-vos entrar quando sei que vão fazer isso tudo com as pessoas que já lá estão. Em vez de vos mandar para a sala X, a minha vontade é de vos mandar para o raio que vos parta.

É suposto o cinema ser magia ainda que não a sintamos com a mesma profundidade: seja um drama ou comédia, seja um clássico ou algo mais superficial, seja a primeira ou a última sessão. É suposto ser um escape dessa mesquinhez social quotidiana e não mais um espaço onde as pessoas são as versões mais comuns e negativas delas mesmas. Mas se é isso que preferem continuar a ser e a vossa prioridade é consumir pipocas e não a história que está a decorrer no ecrã, então gostaria muito que vos engasgassem com elas. 

 

Com pesar, irritação e uma sensação doente desgraçada neste meu dia de folga por estar a repor toda a vossa má energia, termino esta carta, sabendo de antemão que não é apenas no cinema que isto acontece mas é no cinema que mais me dói. 

 

Nunca vossa, zeus me livre, não sou um bicho social e muito menos um robot ovelha da vida real,

Samantha completamente a arder por todos os lados e com vontade de pegar fogo à humanidade

 

(Encontrei trabalho no cinema da terrinha - imaginem se fosse na capital ou noutra cidade maior... - e tive um fim-de-semana de merda. Há mais de um ano que isto não me acontecia: ficar de cama porque a minha energia mental e social se desgastou numa situação laboral. Tenho teorias. Talvez um dia fale sobre elas. Por hoje fica o desabafo.)

A Tia Nerdeek

Tenho uma sobrinha de 2 anos. Eu, com 26,  por vezes parece que tenho 2 porque sou completamente apanhada por universos (perdão, multiversos!) e personagens fictícias. Sou geek e nerd assumida. O melhor dia que tive em anos foi em Dezembro de 2017 na Comic-Con, só para entenderem a dimensão da coisa. Aliado a isto, não sou uma pessoa de crianças e muito menos de seguir regras sociais com elas. Então o resultado é este:

 

- Ofereci-lhe um pijama do Batman. Adora-o, quer andar com ele na rua. Devia ter comprado um para mim.

 

- Ensino-a a falar Klingon. Ensino insultos, obviamente. Klingon não é um idioma para gente sensível, p'takh!

 

 - Cumprimento-a com a saudação vulcana, tentanto ensiná-la a fazer o mesmo. Ainda não dá. Levanta a mão e enrola os dedos todos e ri-se. E eu também.

 (imagem daqui)

 

 - As brincadeiras incluem os Pew Pew de Star Wars, voar como a Supé Galo, tia (Supergirl), feitiços como o Harry Potter, entre outras coisas. Uma vez disse-lhe que íamos correr como o The Flash. Eu caí.

 

- Cada vez que me pergunta "o que é ito?" apontando para a minha tatuagem (armas da Xena e da Gabrielle), aproveito para ensiná-la a gritar "Guerreira" a todas "Princesas" que a avó lhe diz. A palavra ainda não sai mas a atitude e os "aylalalalala!já estão lá.

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- Se me pede música, meto as épicas introduções de algumas séries e filmes. Também não é incomum eu cantar a Klingon Drinking Song enquanto ela bate na mesa como uma verdadeira Klingon. Qapla'!

 

 

 

- Tudo o que penso comprar para ela, desde roupas a brinquedos, tem que ser temático. De preferência da DC Comics ou, acertaram, Star Trek (e acabo a comprar cuecas disso tudo para mim, mas isso é outra história).

 

Em minha defesa, se não é para eu ser uma velhota vestida de Capitã Janeway para ir à Comic Con 2048 e ela de Seven of Nine a acompanhar-me, então não sei por que motivo é que alguma de nós nasceu.

(Quanto ao Cosplay de Xena e Gabrielle, deixo isso para a minha futura namorada... Não necessariamente na Comic-Con...)

 

Bokeh | VAMos!

Há qualquer coisa de belo na ideia de fim de mundo. E na Islândia. E na solidão. E no existencialismo. E em ideias já exploradas, os típicos clichés. Há tanto de belo como há de pretensioso. Talvez não na Islândia. Mas em tudo o resto a imagem está desfocada e a perspectiva depende do foco que lhe damos, não é? (Exactamente como a fotografia bokeh, tal como se chama o filme.)

 

Mas para ser mais precisa: 

Um casal viaja para a Islândia e, durante as férias, toda a gente desaparece e percebem que são as únicas pessoas à face da terra. Não importa porquê nem como nem o quê, na verdade. Às vezes o mundo é só isso, uma existência solitária imensa sem respostas. E não há fim porque, enfim, é só assim que as coisas são:

uma jornada entre o paraíso e o inferno. 

 

Nem sei bem o que andamos aqui a fazer mas não importa, a Islândia é de uma beleza sem igual e a cinematografia do filme é espectacular.

Na falta de foco, foco-me nisso. Há tanto de belo no inferno quanto de triste no paraíso. 

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 (Foto encontrada algures na internet depois de muito esforço perante as novas complicações do google)

 

Localização: Islândia

Idioma: Inglês

Género: Drama (de ficção científica?)

Ano: 2017

Duração: 1h31

 

(Esta sugestão faz parte da rubrica Volta ao Mundo em Cinema, inserida no Projecto VAMos!)

 

 

O Farol das Orcas | VAMos!

E na primeira viagem através do Projecto VAMos!, vamos até à Patagónia argentina nadar com orcas pelo mar do autismo. 

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"O Farol das Orcas" (idioma original: El Faro de Las Orcas) é um filme hispano-argentino de 2016 que nos conta a história real de Roberto "Beto" Bubas, um patrulheiro da natureza argentina apaixonado por orcas, e Agustín (no filme é Tristán), uma criança autista que encontra nas orcas o barco para navegar no oceano das emoções. 

 

A viagem começa com uma mãe a atravessar o atlântico de Espanha à Argentina com o seu filho autista para o ajudar a encontrar-se com as suas emoções, após a aparente e diária apatia da criança ter sido interrompida por um momento de reacção quando um documentário sobre as orcas passa na televisão. É então na Patagónia que conhecem Beto, com quem Tristán, a par com as orcas, irá criar um forte laço que o lançará pela primeira vez no mundo.

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Para além da fotografia maravilhosa que nos convida visualmente a visitar esta parte do globo, o filme tem um enredo que nos faz querer visitar o lugar mais remoto do nosso eu: aquele lugar mais puro ligado ao mundo natural, o lugar por debaixo das camadas de pressa e superficialidade do quotidiano e onde somos nós antes de sermos o que somos por influência do que nos rodeia.

Afinal qual é a nossa essência? 

 

 

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Localização: Argentina

Idioma: Espanhol

Género: Drama

Ano: 2016

Duração: 1h50

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(Esta sugestão faz parte da rubrica Volta ao Mundo em Cinema, inserida no Projecto VAMos!)

Volta(s) Ao Mundo a partir de Onde? Do Sofá!

De volta da Noruega (e da Suécia, logo contarei como lá fui parar!) e de um Dezembro complicado, decidi finalmente dar a volta ao mundo. Não a volta ao mundo em geografia, infelizmente, mas uma volta ao mundo mais acessível neste momento (mas igualmente divertida e interessante!).

A partir de hoje irei iniciar uma série de rubricas para vos falar de filmes, séries e músicas de várias partes do mundo. Os meus dias são recheados de diversos idiomas através destes meios de entretenimento, então que tal partilhar essas viagens por aqui também? 

VAMos (Volta Ao Mundo a partir de Onde? Do Sofá!)?

 

Volta ao Mundo em Cinema

Volta ao Mundo em Música

Volta ao Mundo em Televisão

 

(post e links em constante actualização)

 

Boas viagens cinematográficas, musicais e televisivas! 

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