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Samantha Em Chamas

Fogos e desafogos de uma viajante arco-íris que arde pelo mundo.

O sol que se põe na minha rua

O céu arde mas não queima e aquece a alma quando o frio teima.

Somos silhuetas, ruas sem etiquetas, tretas obsoletas. 

Estonteante é o pôr-do-sol na baía de Setúbal mas reconfortante é o sol que se põe ao fundo da rua.

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 (Setúbal sem filtros, sê tu sem filtros. É exactamente assim que é o sol que se põe na minha rua)

Um pôr-do-sol arco-íris em Dublin

Na minha segunda vez em Dublin, em Outubro de 2017, e já conhecendo de cor quase todas as ruas e pontes da cidade, voltei ao hostel para descansar um pouco antes de me ir embora. Ao voltar pela ponte O'Connell, uma das tantas e a talvez a mais larga que atravessa o rio Liffey, entre carros e pessoas lá estava uma bandeira arco-íris. Obviamente que tive que me aproximar. De tanto quererem que tenha vergonha de mim, o meu orgulho em ser quem sou só cresce.

Mas, enfim, lá me aproximei e vi que era uma mesinha de venda. Tinha bonés e meias e música e isqueiros e pilhas e copos e coisas aleatórias em monte, sabe-se lá o que é que uma pessoa precisa quando atravessa a ponte. Eu cá só precisava de uma bandeira arco-íris. Há anos que queria comprar mas mesmo na internet eram caras e o mais perto que cheguei disso foi um conjunto de diversos pins arco-íris e feministas que eu mesma fiz quando vivi em Espanha (privilégios de ter uma máquina dessas no trabalho!).

 

 

Então perguntei à senhora e ao senhor que lá estavam, duas pessoas velhotas adoráveis, quanto era a bandeira. Entre os 10 euros que custava e os 2 e pouco que eu tinha comigo na altura, tive que ir levantar dinheiro mas não sem antes fazer com que a senhora e o senhor prestassem um juramento de como aquela bandeira, a única que tinham, iria esperar por mim apenas. Foi tudo muito engraçado, ele ria-se e ela olhava para mim como uma mãe que vê a filha super contente com algo. E é normal porque eu estava realmente ao pulinhos. Então desatei a correr para o multibanco mais próximo, a amaldiçoar os sinais vermelhos daquele cruzamento enorme, carros de todos os lados e eu só queria ir numa direcção. Quando voltei com o dinheiro e já tinha a bandeira na minha posse, os meus olhos brilhavam. E devem ter reparado, porque ficámos a falar de como a bandeira era bonita e de outras coisas que surgiram daí. 

 

Depois dessa conversa, fui dar mais uma volta pela cidade. Dublin é especialmente bonita ao pôr-do-sol e o pôr-do-sol também é especialmente bonito em Dublin. E toda essa caminhada foi feita de bandeira na mão, uma bandeira do meu tamanho, eu era um arco-íris ambulante nas margens do rio Liffey. Há poucas coisas mais especiais do que sermos nós próprias nas ruas que adoramos, especialmente ao pôr-do-sol.

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AlcânÇara

De miradouro a sentidouro
das possibilidades de ouro,
de prata, de lata,
do que faz viver e do que mata,
possivelmente de verdades embaladas
pelos fados cantados a pessoas amadas.
Em Alcântara, um mantra
e uma manta a proteger do vento frio
a pele que cobre o coração quente
de nos sentirmos gente
por podermos olhar o rio.
Sorrio e a mente não mente
quando pensa que
neste sítio não se vê Lisboa apenas
mas também - sobretudo - se a sente.

 

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 [Foto e poema escrito por mim em Julho de 2016 no Miradouro de São Pedro de Alcântara, em Lisboa]

 

Os pássaros de Gjøvik

Os únicos sinais de vida eram os triângulos negros lá em cima. Saíam das árvores e voavam em grupo mas a sós com as suas asas. Eu não voava. O meu coração nem sequer batia então como é que poderia sequer voar? Gjøvik parecia um cenário de um filme distópico onde o vazio se sente a cada frame frio da cor da solidão: nem é azul nem branco nem cinzento, são todas essas cores num tom triste onde só se inala o vácuo irrespirável. 

Mas os pássaros de Gjøvik lá existiam e continuavam a voar. Iam em círculos e em bando como uma banda de hits ridículos que compõe a banda sonora de um pós-apocalipse. Um eclipse de vida: eram os pássaros de Gjøvik.

 

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(Foto tirada por mim na minha passagem por Gjøvik, Noruega, em Dezembro de 2017)