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Samantha Em Chamas

Fogos e desafogos de uma viajante arco-íris que arde pelo mundo.

I'd rather fight than just fake it (cause I like it rough)

Não é que sejas inesquecível mas como é que se esquece que o meu maior amor foi uma fraude?

(E como é que se perdoa alguém que conseguiu transformar o que de melhor havia em mim em vergonha e náuseas?)

 

Continuo a ser emocionalmente diplomática mas há acordos de paz que só se alcançam através de palavras duras portanto vai-te foder. É frustrante que me tenhas tirado 10 anos da minha vida portanto imagino que seja pior teres de conviver contigo há (quase) 29 anos. E não te desejo mal, não: desejo-te autenticidade porque se não é para seres o que dizes ser ou queres ser, então não vales nada. E a forma como eu amo as pessoas que passaram, passam ou passarão na minha vida vale tudo. Amei-te (mas vai-te foder!). 

Descansa em paz, Zézinho

Nos meus últimos dias em Espanha fiz aquilo que uma pessoa minimamente educada e asseada faria na minha situação: arrumei as coisas e limpei a casa. 

Não tenho muitas coisas no geral mas com os presentes de despedida alguns pertences meus não cabiam na mala então tiveram de ir num outro saco. Sem problema. Meti tudo a um canto, dei um jeito ao quarto, fui despejar o lixo e aproveitar o último pôr-do-sol. Lindo, a sério. Cheio de aconchego e de memórias.

Na tarde seguinte, a Pilar veio buscar-me para me levar à estação de comboios de Salamanca. Nessa noite regressava, de vez, a Portugal. Peguei na mala e levei para o carro. Voltei ao quarto e peguei no saco com as minhas coisas. Só que não era o saco com as minhas coisas:

era o saco do lixo! O saco com as minhas coisas é que tinha ido para o lixo...

 

O pânico!

O horror!!

A tristeza profunda...

O que é que lá estava que eu estimava tanto?

O meu vibrador!

 

Nunca mais fui a mesma. Ainda hoje estou traumatizada. Que saudades.

Descansa em paz, Zézinho.

 

 

 

Hoje é o oitavo aniversário da minha primeira viagem de avião

Oito anos depois já apanhei vários aviões. A maior parte sozinha, alguns acompanhada. Uns para férias, outros de mudança para outros países. Já passei noites no aeroporto à espera do voo, já tive um voo cancelado e nenhuma informação. Já tive conversas interessantes com pessoas que não conhecia, já sofri com o silêncio agoniante de quem estava comigo. Já tive viagens boas, outras cansativas. Já viajei mais vezes de avião do que pensei que alguma vez faria dadas as circunstâncias em que sempre vivi e ainda assim não acho suficiente. 

 

Há oito anos, depois de uma escala em Zurique e outra em Istambul, estava nos ares em direcção ao sul da Turquia. Cansada mas super animada e fascinada. Tudo me encantava: os aeroportos, os check-in, a entrada nos aviões, subir às nuvens, descer das nuvens, olhar pela janela e ver as mais variadas paisagens, a comida servida, a bebida servida, o barulho dos aviões, o silêncio quando toda a gente estava cansada, as pessoas de várias nacionalidades e feitios que se dirigiam para o mesmo sítio, as hospedeiras, as frases imperceptíveis dos pilotos, os protocolos, até a casa-de-banho. Estava maravilhada e acima de tudo orgulhosa de mim por ter aberto as minhas próprias asas e não ter desistido quando me disseram que só podia concorrer à viagem com um trabalho de equipa. Quem não me quis na equipa ficou em terra e eu, sozinha, voei-me para o mundo pela primeira vez. 

 

Viajar de avião lixa-me sempre os ouvidos. Não há truque aprendido que alivie a pressão mas não faz mal porque quando estou lá em cima os pesos da alma entram em estado de remissão.

Também não tenho medo de viajar de avião mesmo quando há alguma coisa que não está a correr como devia. Mas tenho medo de não voltar a viajar assim. E então penso:

há oito anos viajei de avião pela primeira vez, de certeza que há três meses não foi a última vez. Espero bem que não.

 

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 (Aeroporto de Málaga, Junho de 2016)