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Samantha Em Chamas

Fogos e desafogos regados a cerveja e coração

No quiero escaparates: quiero la vida entera.

Na casualidade da vida nada em mim é por acaso. Mais importante: ninguém comigo o é por acaso. Entre armaduras e recrutamentos, tenho mais dedos numa mão do que pessoas a quem dei permissão para passarem o muro. 

Não é justo que me resuma às circunstâncias para justificar essas entradas. Se circunstancialmente me sinto resumida, sinopse de uma alma, um par de frases sobre o meu coração, então recuso a minha plenitude. Se sou a personificação da demasia, então que o seja - mas eu plena é que não me recuso mais.

Por mais solitário que seja, sei tanto indicar a entrada quanto a saída.

E prefiro ser sozinha do que resumida. 

Ninguém é melhor pessoa por associação

Há uns dias, um bocadinho ferida, eu disse a alguém que "só porque te dás com pessoas de espírito livre e boas pessoas, isso não te torna uma dessas pessoas por associação", mais coisa, menos coisa. É que não importa fazer apenas umas rastas no cabelo e fazer o sinal da paz com a mão ou, no caso de activistas (não me esqueci...), escrever determinados textos, para ser uma melhor versão de nós mesmas. Eu honestamente acho que, no geral, cada qual faz o melhor que pode com as ferramentas que tem, mas existe uma diferença entre querer seguir um caminho diferente e em continuar a causar, de forma consciente, acidentes pelo caminho. E se para mim é fácil respeitar a necessidade de alguém de seguir num carro onde eu não estou, é impossível não buzinar quando esse mesmo carro vem, de novo, de encontro ao meu. 

 

No outro dia alguém disse «Não se trata de persuadir as pessoas de que irás fazer algo grandioso: trata-se de o fazer.» numa das séries que vejo. De certa forma encaixou na situação do parágrafo anterior, embora num sentido diferente, e também no que me disse uma pessoa que conheço quando estivemos a passear e a conversar lá por Coimbra e arredores. Dizia ela que "o que quer que façamos temos que fazer por nós", algo assim do género. E eu concordo. É uma frase que me ficou na cabeça e que vem sempre ao de cima enquanto tento orientar a minha vida ultimamente. E também veio ao de cima quando a situação do primeiro parágrafo ocorreu. É que fazer o melhor que se pode e fazê-lo por nós mesmas não pode ser justificação para comportamentos tóxicos, mais ainda quando esses comportamentos se repetem e repetem durante anos. Os regressos com perdões na boca e rastas sabe-se lá onde perdem a validade se forem apenas descargos de consciência - e eu não sou nenhum autoclismo papal. Quem quiser perdão que procure dentro de si e quem quiser ser a melhor versão de si então que pare de o dizer e que seja (ou tente ser, pelo menos!). É isso que tento fazer também.

Já alguma vez viste chuva num dia de sol?

Saí de casa a correr. Nem com pressa nem com raiva nem com medo. Desatei a correr com a Joan Jett nos meus ouvidos, abençoada seja. Parei muito antes de onde viria a ficar sentada a observar, lá do alto, a Arrábida, o Sado, Tróia e a minha paz, porque não tenho a resistência de gente fitness. Uma vez lá em cima levei com sol no focinho e levei com chuva também enquanto ela me perguntava, repetidamente, se alguma vez tinha visto chuva num dia de sol. "Sempre vi", respondi-lhe, "mas agora ando a aprender a ver o meu sol em dias de chuva"

 

No regresso a casa, caminhando, pensava no que tinha escrito na noite anterior. Deve ser da minha lua em leão mas tenho tendência a sofrer mais de um ego fodido do que de um coração partido. O que é bom, atenção: assim com alguma reflexão e maturidade depressa deixa de doer. Se não é do coração, não me importa e se não me importa não vale o meu tempo nem a minha energia. 

Tranquila com a conclusão, meti-me no duche. A pele escaldava mas nada mais me doía. 

 

Sentei-me no sofá com o computador nas pernas. Se eu fumasse sacava de um cigarro. Como não fumo, agarrei na chávena mas estava muito quente. Esperei que o chá arrefecesse. E enquanto esperava e tentava decidir que série ou filme havia de ver, recebi uma mensagem tua. As palavras de sempre. 

Mas epá, desta vez não te respondo. 

É contando histórias que eu faço a minha

Pego num livro, leio umas páginas e paro. Pego noutro, leio mais umas quantas e volto a parar. Apetecem-me histórias mas nenhuma destas me apetece agora. Volto a pegar noutro, talvez esta já resulte. ​Afinal não. Ao lado a minha câmara fotográfica. "O que é que vou fazer contigo?", penso eu. E sei. Uma data de coisas. Tenho ideias fantásticas e vários projectos em mente. Então volto a questionar mas desta vez é um quando e um como em vez do quê. E então percebo: apetecem-me histórias, sim, mas contá-las. Histórias "minhas" ainda que sejam histórias de outras pessoas. Descobri-las. Expressá-las. Registá-las nas fotografias que tiro e nas palavras que escrevo. Acho que é desta. Ainda bem que não me desfiz da máquina. 

O calendário das emoções

Há um par de semanas estava a conversar com uma pessoa sobre as mais variadas coisas até que, a determinada altura, mencionei uma pessoa por quem estive enamorada ao longo de 10 anos. Mais tempo, menos tempo, acrescentei. E desde então que tenho questionado a formação da linha temporal das emoções e relações.

 

Ainda no outro dia estava a ver um episódio de Modern Family em que, numa referência a um filme, uma personagem parte o relógio e diz "Quero recordar o exacto momento em que voltei a apaixonar-me por ti.". E fiquei a pensar que realmente, no meu caso, consigo apontar um ano - 2007 - mas não consigo apontar uma data exacta para o momento em que me apaixonei. Parece que sempre foi algo que esteve comigo mas efectivamente não porque antes de 2007 isso não aconteceu, logicamente. E o mesmo acontece com o final: não consigo apontar o momento em que deixei de estar enamorada. Então como posso dizer que foram 10 anos, mais tempo, menos tempo? Porque foram. E porque foi um processo emocional e mental que não envolveu apenas uma emoção romântica mas toda uma conexão além disso e a sua respectiva complexidade (e consequências). E tanto envolveu uma parte abstracta como uma parte mais concreta. Entre sentimentos, palavras, decisões e actos, isto durou 10 anos. Mais tempo, menos tempo. 

 

Há marcos na vida das pessoas a partir dos quais se pode iniciar uma trajectória temporal mais específica, traduzidos em aniversários a partir de ali. Um namoro ou um casamento, por exemplo. Um nascimento. Até algumas amizades. Mas não foi nesse dia que as emoções começaram a existir. Uma celebração de 21 anos de qualquer coisa não é necessariamente um indicador da existência de 21 anos de emoções associadas a isso mesmo e às pessoas envolvidas. Então como é que se comemora o "aniversário" de algo que sentimos? A única conclusão à qual consigo chegar é: sem prender os sentimentos nos ponteiros de um relógio ou limitá-los a um quadrado no calendário. Com o coração.

Dia Internacional das Super-Mulheres

Escrevi mais um texto para o Androids e Demogorgons, desta vez um paralelo entre a série Jessica Jones (sem spoilers específicos, prometo!) e algumas situações que levam à existência do Dia Internacional da Mulher. Se tiverem interesse:

 

O Dia da Mulher e o Dia de Jessica Jones

 

 

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ANTES QUE SE QUEIMEM

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