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Samantha Em Chamas

Fogos e desafogos de uma viajante arco-íris que arde pelo mundo.

Um dia de cada vez

Rapei o cabelo. Todo. À máquina zero. Fechei-me na casa de banho a ouvir L7 e desfiz-me de tudo o que decorava a cabeça. Vá, quase tudo. Ficaram as sobrancelhas grossas, as borbulhas intrometidas, as olheiras escuras e os quilos a mais que me enchem as bochechas. Pareço doente e, como seria de esperar, já me perguntaram se estou doente. E estou - mas não é um cancro que me aflige: é a minha saúde mental deteriorada. 

 

Rapei o cabelo há três dias e os três dias anteriores tinham sido um inferno. Rapei porque estava farta de mim e era a única parte do corpo que podia remover. Rapei-o porque o que eu queria era cortar todas as nuvens negras na minha cabeça mas não conseguia chegar a elas. Então rapei o cabelo, à máquina zero, e fiquei na cama coberta de nuvens e tempestades. 

 

Entretanto já consegui sair da cama. Ainda me custa olhar ao espelho por vezes, então prefiro olhar para o ecrã e ver episódios de "One Day At a Time" na Netflix, uma comédia que realmente me faz dar gargalhadas e que, ao mesmo tempo, trata e desconstrói assuntos sérios e importantes. E o episódio que acabei há pouco foi sobre depressão (e a importância de cuidar da saúde mental no geral). E lembrei-me que não faz mal ter recaídas nem rapar o cabelo porque ele cresce e eu também (mais alto do que as nuvens negras). Um dia de cada vez. 

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